Dia 23 de abril, às 15 horas no CIC: Entrega da Carta do Fórum Catarina de Cultura ao presidente da FCC

Entra governo sai governo e não há cumprimento de uma agenda política mínima para a cultura.

O Governo do Estado assinou o termo de compromisso com o MinC para o desenvolvimento do Sistema Estadual de Cultura, que deve estar alinhado às políticas federais do Sistema Nacional de Cultura, mas não está cumprindo o cronograma.

As decisões do Conselho Estadual de Cultura não são respeitadas. O Conselho não é ouvido pelo governo.

Por que não houve o lançamento do edital Elisabete Anderle já que o então secretário Cesar Souza tinha em mãos em novembro redação final do texto elaborado pela comissão integrada por representantes do governo e da sociedade civil?

Essas são algumas das questões que 16 associações de artistas de Santa Catarina, 19 grupos artísticos e quatro conselheiros do Conselho Estadual de Cultura estão abordando na carta que o setor vai entregar ao Governador, Secretário de Turismo, Cultura e Esporte, Presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Presidente do Conselho Estadual de Cultura e Presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Cultura da Assembléia Legislativa.

No dia 23 de abril, às 15 horas, uma comitiva de artistas vai protocolar a carta para o presidente da Fundação Catarinense de Cultura, no Centro Integrado de Cultura, e solicitar uma audiência para discutir as questões levantadas no documento.

Evento no Facebook: http://www.facebook.com/events/427170500642624/

Carta do Fórum Catarina de Cultura

Florianópolis, 23 de abril de 2012.
Ao Exmo Sr. Raimundo Colombo
Governador do Estado de Santa Catarina
Senhor Governador,

No último dia 20 de março, foi assinado o Termo de Compromisso com o Ministério da Cultura para o desenvolvimento do Sistema Estadual de Cultura, que deve estar alinhado às políticas federais de implementação do Sistema Nacional de Cultura.
Nós, trabalhadores da área da cultura de Santa Catarina, reunidos e unanimemente, entendemos que este processo deva ocorrer com transparência e ampla participação da sociedade. Por esta razão, solicitamos urgência na devolutiva das ações da Fundação Catarinense de Cultura, da Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte e do Conselho Estadual de Cultura, além de diálogo aberto com convite à participação da sociedade civil nas decisões da Gestão Cultural de Santa Catarina.

Solicitamos especial atenção aos assuntos que percebemos urgência:

1. Retomada dos trabalhos da Comissão de Elaboração do Sistema Estadual de Cultura (SEC-SC);
2. Revisão da agenda de implementação do SEC-SC com ampla divulgação e garantia de participação da sociedade civil, conforme o Termo de Compromisso assinado;
3. Respeito às deliberações do Conselho Estadual de Cultura de Santa Catarina (CEC-SC) e inclusão de sua reestruturação junto ao Sistema Estadual de Cultura;
4. Transparência das atividades desenvolvidas pela SOL e FCC com publicização de informações e prestações de contas, além da disponibilização das atas do CEC e publicação do Diário Oficial na internet;
5. Oficialização de informação e abertura para participação da sociedade civil, com qualidade representativa, para contribuição com o processo de revisão do Decreto que regulamenta o Funcultural;
6. Valorização da cultura como tema transversal nas políticas públicas de Santa Catarina, pelo entendimento de que o setor cultural catarinense, com sua produção artística e cultural fortalecida, além de contribuir para o desenvolvimento intelectual, educacional e social de nossa sociedade, constitui-se como fonte legítima de trabalho e renda contribuindo com o crescimento de nossa economia;
7. Diálogo transparente e participativo sobre o Decreto e a não publicação do Edital Elisabete Anderle;
8. Transparência sobre a não realização do Salão Nacional Victor Meirelles e do Prêmio Cruz e Souza de Literatura;
9. Realização de reuniões periódicas do Comitê Gestor, conforme Decreto nº 1.291/2008, respeitando as deliberações do Conselho Estadual de Cultura;
10. Compromisso do Governo do Estado na criação de uma SECRETARIA ESPECÍFICA PARA A CULTURA de Santa Catarina.

Solicitamos a manifestação do Governo de Santa Catarina, Secretaria de Estado de Turismo, Cultura e Esporte e Fundação Catarinense de Cultura com o agendamento e compromisso de organização de Fórum de Política Cultural Catarinense para o mês de junho de 2012 e por um período mínimo de três dias, para que a sociedade civil tenha a justa oportunidade de participação na construção da Política Cultural de Santa Catarina.
Certos de contar com a resposta às nossas reivindicações no prazo de 5 dias do recebimento deste ofício, solicitamos uma audiência com o Governador do Estado de Santa Catarina, Raimundo Colombo.
Atenciosamente,

AAPLASC – ASSOCIAÇÃO DOS ARTISTAS PLÁSTICOS DE SANTA CATARINA
ASSOCIAÇÃO CULTURAL CINEMATECA CATARINENSE – ABD/SC
CINELO – ASSOCIAÇÃO DE CINEMA E VÍDEO DE CHAPECÓ E REGIÃO
ACINEJ – ASSOCIAÇÃO DE CINEMA DE JOINVILLE E REGIÃO
AMUJ – ASSOCIAÇÃO DOS MÚSICOS DE JOINVILLE
MUSICATARINA – ASSOCIAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DE MÚSICA DE SANTA CATARINA
SINTRACINE – SINDICATO DOS TRABALHADORES DA INDÚSTRIA
CINEMATOGRÁFICA E DO AUDIOVISUAL DE SANTA CATARINA
SANTACINE – SINDICATO DA INDÚSTRIA AUDIOVISUAL DE SANTA CATARINA
APRODANÇA – ASSOCIAÇÃO PROFISSIONAL DE DANÇA DE SANTA CATARINA
MOVIMENTO DANÇA JARAGUÁ
GESTO – ASSOCIAÇÃO DE PRODUTORES TEATRAIS DA GRANDE
FLORIANÓPOLIS FECATE – FEDERAÇÃO CATARINENSE DE TEATRO
AJOTE – ASSOCIAÇÃO JOINVILENSE DE TEATRO
ACATE – ASSOCIAÇÃO CHAPECOENSE DE ARTISTAS DE TEATRO
SETORIAL PERMANENTE DE TEATRO DE FLORIANÓPOLIS
FÓRUM CULTURAL DE FLORIANÓPOLIS
COLETIVO CARDUME CULTURAL – FORA DO EIXO SC
TEMPORADA BLUMENAUESE DE TEATRO
ANONIMOATO GRUPO TEATRAL – FLORIANÓPOLIS
GRUPO CÍRCULO – FLORIANÓPOLIS
EXPRESSO PRODUÇÕES – FLORIANÓPOLIS
PESQUISA ATORAL CIA DE TEATRO – BLUMENAU
CENTRO ACADÊMICO DE TEATRO DA UDESC – FLORIANÓPOLIS
CARONA TEATRO E PRODUÇÕES ARTÍSTICAS LTDA – BLUMENAU
GRUPO TEATRAL BOCA DE SIRI – FLORIANÓPOLIS
ARCO PRODUTORA – FLORIANÓPOLIS
EFFECTUS CIA TEATRAL – FLORIANÓPOLIS
COMPANHIA MUIRAQUITÃ – CHAPECÓ
GRUPO DE PESQUISA TEATRAL PANACÉIA – SÃO BENTO DO SUL
CIA CARAVANA DO SONHAR – SÃO BENTO DO SUL
TRUPE TEATRAL TRIBO PIERROT – SÃO BENTO DO SUL
RESTA NÓIS CIA LIVRE DE TEATRO – FLORIANÓPOLIS
GRUPO AFRICATARINA DE ARTE E ARTE-EDUCAÇÃO
COLETIVO NEGA – NEGRAS EXPERIMENTAÇÕES GRUPO DE ARTES
COLETIVO NÓ CULTURAL
ELISANGELA JAWORSKI – CONSELHEIRA ESTADUAL DE CULTURA –
REPRESENTANTE DOS PROFISSIONAIS DE DANÇA
FRANCISCO DO VALE PEREIRA – CONSELHEIRO ESTADUAL DE CULTURA
– REPRESENTANTE DA ÁREA DE FOLCLORE E ARTESANATO
FIFO LIMA – CONSELHEIRO ESTADUAL DE CULTURA – REPRESENTANTE DOS PROFISSIONAIS DE CINEMA
LUCIANO CAVICHIOLLI – CONSELHEIRO ESTADUAL DE CULTURA – REPRESENTANTE DOS PROFISSIONAIS DE TEATRO

Carta de Avaliação da Novembrada Cultural 2011

No dia 1º de Novembro de 2011 foi lançada a Novembrada Cultural, movimento que reuniu pessoas interessadas em cultura, artistas, produtores, realizadores culturais e entidades representativas do setor no estado de Santa Catarina.

A Novembrada é uma referência à manifestação popular ocorrida em 1979 em Florianópolis. A Novembrada Cultural, articulada pela Frente Catarinense em Defesa da Cultura, foi uma série de eventos e manifestações reivindicando as questões que envolvem a consolidação de uma verdadeira Política Pública para a Cultura no estado, tantas vezes pauta de reuniões e mais reuniões, manifestos e mais manifestos.

Nossas reivindicações:

1) O pagamento imediato dos projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura.

A secretaria entrou em contato com os proponentes solicitando abertura de contas para pagamento dos projetos na próxima semana. A novidade é que o secretário assinou a IN 001, 14 de setembro de 2011 que obriga os proponentes a depositarem após 30 dias do recebimento, 5% para um Fundo Social que ajuda vítimas da enchente.

2) Adesão imediata de Santa Catarina ao Sistema Nacional de Cultura.

O Secretário enviou um ofício solicitando a prorrogação do prazo para aderir ao SNC e instituiu uma comissão para tratar da implantação do Sistema Estadual de Cultura. Antes da Novembrada Cultural, o discurso era muito mais próximo da não adesão.

3) A revisão imediata da Lei que criou o Funcultural, com a participação de toda a categoria.

Na entrevista ao Jornalista Marcos Espíndola, o secretário garantiu que haverá uma normativa para permitir, aos proponentes, a auto-remuneração. É uma boa oportunidade para a revisão de outros artigos do decreto.

4) O lançamento imediato dos editais de apoio à cultura.

O Edital de Cinema foi lançado em Chapecó no dia 8/11. A abertura das inscrições ainda não foi divulgada. O Edital Elisabete Anderle está prometido para o fim de Novembro. A classe cultural está aguardando.

O Movimento Novembrada Cultural saúda a iniciativa do Secretário Cesar Souza Junior em responder pela imprensa, assim como proceder de forma condizente com tais reivindicações, mostrando diálogo e flexibilidade.

Porém, as expectativas da classe cultural catarinense são anteriores a gestão do Secretário, elas ecoam por décadas e são urgentes. Sendo assim, pedimos compreensão quando enfatizamos que mais do que discursos, a classe cultural de Santa Catarina precisa de ações e, principalmente, que elas sejam contínuas.

A avaliação que fizemos sobre o movimento é de que seria imprudente solicitar uma Audiência Pública com o Secretário, Governador e o Presidente da Fundação Catarinense de Cultura ainda este ano, pois corria o risco de estar esvaziada.

O encaminhamento é solicitar uma Audiência Pública para a semana do dia 27/02/2012 a 02/03/2012. Até lá, faremos uma campanha junto à população e profissionais do meio para participarem desta Audiência. Um das deliberações é a criação de um Fórum Permanente de discussões.

A conclusão geral é a de que o movimento Novembrada Cultural oportunizou encontros de discursos e desejos similares entre as várias áreas da classe cultural e a sociedade como um todo, do produtor ao cidadão comum que anseio por uma política pública consistente na área da Cultura. Este movimento está se desenvolvendo em um movimento mais amplo, que está no país inteiro, o PCult – Partido da Cultura.

Para saber mais: http://partidodacultura.blogspot.com

Próxima Reunião: segunda-feira (dia 28/11)

Palavras são boas, ações são melhores.

O coletivo de entidades e pessoas apoiadores da Novembrada Cultural expressas no blog-manifesto do movimento vem por meio desta mensagem manifestar contento e expectativa com as respostas do Governo do estado de Santa Catarina em relação às revindicações expressão no manifesto “Por uma Política Pública para a Cultura”.

O nosso contento e as nossas expectativas:

1) O pagamento imediato dos projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura.

A secretaria entrou em contato com os proponentes solicitando abertura de contas para pagamento dos projetos na próxima semana, porém, com uma novidade que desagradou muito os produtores culturais: Os Proponentes são obrigados a depositar 5% para um Fundo Social após 30 dias do recebimento.

2) Adesão imediata de Santa Catarina ao Sistema Nacional de Cultura.

O Secretário enviou um ofício solicitando a prorrogação do prazo para aderir ao SNC e instituiu uma comissão para tratar da implantação do Sistema Estadual de Cultura. Antes da Novembrada Cultural, o discurso era muito mais próximo da não adesão.

3) A revisão imediata da Lei que criou o Funcultural, com a participação de toda a categoria.

Na entrevista ao Jornalista Marcos Espíndola, o secretário garantiu que haverá uma normativa para permitir, aos proponentes, a auto-remuneração. É uma boa oportunidade para a revisão de outros artigos do decreto.

4) O lançamento imediato dos editais de apoio à cultura.

O Edital de Cinema foi lançado em Chapecó no dia 8/11. A abertura das inscrições ainda não foi divulgada. O Edital Elisabete Anderle está prometido para o fim de Novembro. A classe cultural está aguardando.

O Movimento Novembrada Cultural saúda a iniciativa do Secretário Cesar Souza Junior em responder pela imprensa, assim como proceder de forma condizente com tais reivindicações, mostrando diálogo e flexibilidade.

Porém, as expectativas da classe cultural catarinense são anteriores a gestão do Secretário, elas ecoam por décadas e são urgentes. Sendo assim, pedimos compreensão quando enfatizamos que mais do que discursos, a classe cultural de Santa Catarina precisa de ações e, principalmente, que elas sejam contínuas.

AVALIAÇÃO

O movimento Novembrada Cultural realizará um encontro às 21 horas de segunda-feira (dia 28/11) na Concha Acústica da UFSC a avaliação das ações e a construção de um espaço permanente de debate e reivindicação de políticas públicas para a cultura para Santa Catarina.

Participe e divulgue!

Entrevista com o Secretário Cesar Souza Junior

Em entrevista ao jornalista Marcos Espíndola, publicada no jornal Diário Catarinense no dia 14 de novembro, o Secretário Cesar Souza Junior cita o Movimento Novembrada Cultural, cuja pauta é tratada em vários momentos da entrevista.

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ENTREVISTA

Nós podemos avançar para uma secretaria própria” Cesar Souza Junior Secretário de Estado do Esporte, Cultura e Turismo

Em entrevista exclusiva, o secretário Cesar Souza Junior fala da possibilidade de criação de uma pasta única para atender as necessidades do setor, argumenta a favor das atuais políticas públicas para a cultura catarinense e de sua relação com o Conselho Estadual de Cultura (CEC). Ele também detalha os projetos em andamento e o que se pode esperar para o próximo ano. Souza Junior afirma que é bem provável sua saída do cargo em 2012 para concorrer à Prefeitura de Florianópolis e que pretende deixar legado positivo para o seu sucessor.

*Diário Catarinense – Prestes a completar um ano da atual administração, como o senhor avalia a situação em que recebeu a secretaria e como a apresenta agora?

Cesar Souza Junior –* Nós conseguimos destravar vários nós. O primeiro deles foi o CIC, promovemos uma auditoria na obra, concluímos as oficinas de arte, o Museu de Artes de Santa Catarina e vamos inaugurar o cinema em dezembro. E, mais brevemente possível, no primeiro semestre de 2012, teremos a conclusão total das reformas do complexo. Isso foi uma grande vitória. Segundo: nós incluímos no orçamento do Estado uma previsão orçamentária para a Fundação Catarinense de Cultura. A FCC não tinha orçamento, ela vivia de repasses pontuais da secretaria. Para o ano que vem, vai dispor de uma dotação própria, em torno de R$ 15 milhões, fora os recursos de fundo. Além disso, conseguiremos atender para 2012 as principais demandas do setor cultural, sendo a principal o fortalecimento da política de editais. O Conselho Estadual de Cultura (CEC) confeccionou o edital Elisabete Anderle e o decreto está na mesa do governador para ser assinado. Nós devemos lançá-lo ainda este mês, sendo um dos maiores editais estaduais do país, com R$ 10 milhões assegurados. Sem qualquer interferência política, um mecanismo aberto, com comissões, com os próprios artistas julgando os projetos. Isso é uma política de Estado e ninguém vai conseguir mexer. Reduzir também não vai, mas pode aumentar os valores. A tendência é que cresça. Temos o Edital do Cinema Catarinense, que será pago agora, no valor de R$ 1,8 milhão, e vamos passar a premiação para R$ 3 milhões no ano que vem. Vamos fechar o ano bem, com a primeira Maratona Cultural de Santa Catarina em novembro, sendo que a segunda edição já está programada para março do ano que vem. A ideia é buscar parceiros e espraiá-la para outras cidades.

*DC – Então, a perspectiva para o ano que vem é mais promissora…

Cesar Souza Junior –* É sempre assim, né? A máquina é muito grande, o setor é muito difuso. Mas, de cara, nós atacamos o CIC, que, sendo bem sincero, foi um grande pepino que herdamos. Depois, fomos conversando com o setor, compreendendo as questões e não paralisamos nenhum dos projetos culturais estratégicos, como o Bolshoi, o Festival de Música, Fita Floripa, Mostra de Cinema Infantil, Femusc. Logicamente que há uma ou outra questão pontual de algum projeto que não tenha sido aprovado, mas eu espero resolver isso com o edital.

*DC – Membros do Conselho Estadual de Cultura e da classe artística reclamam que uma margem considerável de projetos aprovados pelo colegiado não teve seus seus recursos liberados. Como ficará esta questão?

Cesar Souza Junior –* Primeiro é preciso deixar clara qual a atribuição do Conselho. Ele não é o ordenador primário dos recursos, ele é uma instância consultiva. O que ele aprova, não necessariamente será atendido. Historicamente é assim e isso é um grande problema. E não é apenas com o CEC, todos os conselhos no Estado, inclusive os regionais, têm esse problema, que temos de consertar. Os conselhos sentam, aprovam, as pessoas que têm seus projetos aprovados ficam na expectativa de que aquilo vai ser pago, mas não há uma conexão entre a área de atuação do conselho de aprovação e a efetividade do recurso disponível. Nós tivemos de fazer investimentos pesados no CIC, no edital Elisabete Anderle, e, por isso, tivemos que segurar alguns projetos que seriam pagos. Há projetos que, naturalmente na dinâmica do governo, eventualmente entram porque o governo quer realizar suas ações. Há demandas de prefeitos do interior, de secretarias regionais. O que eu proponho como uma saída para esse problema no ano que vem é trabalhar com a Secretaria da Fazenda, para que tenhamos uma alçada financeira para o CEC deliberar. O conselho terá um “x” de aprovação. Isso é o melhor para todos nós. Só um exemplo: foram pagos R$ 6 milhões para projetos aprovados pelo conselho, sendo que ele aprovou um montante de R$ 17 milhões, além desses R$ 6 milhões. Não culpo o Conselho, ele avaliou que é bom e que merece tanto, mas não havia uma conexão com a disponibilidade financeira do Estado e a questão nossa aqui interna. Eu não tenho a gestão plena dos recursos, mas destes R$ 17 milhões, consegui liberar R$ 3 milhões junto à Fazenda. Além dos R$ 6 milhões que foram pagos.

*DC – Há críticas quanto à gestão do Funcultural, de que projetos de interesse do governo teriam prioridade na liberação de recursos em detrimento àqueles aprovados pelo Conselho Estadual de Cultural. Primeiro, como está esta questão? E segundo, como está a sua relação com o colegiado?

Cesar Souza Junior –* Minha relação com o conselho é muito boa. Eu sou muito franco, converso de maneira aberta e poucos secretários fazem o que eu fiz, de ir ao Conselho, sentar, ouvir sugestões e conversar. Eu creio que temos um conselho de muita qualidade. É lógico que essa linha entre aquilo que é ação do conselho e aquilo que o governo deve liberar é uma relação tensa. Mas precisamos clarear isso. Pressões e críticas são positivas e nos ajudam a avançar. Eu quero que o conselho me ajude. Primeiro, definindo o que ele vai deliberar para além dos editais Elisabete Anderle e do Cinema Catarinense, certo? O conselho não pode deliberar uma repescagem dos editais. O papel dele é apoiar o governo do Estado a filtrar as ações que irá ajudar, a estruturar a política, como aliás está nos ajudando. Esse é o desafio que eu coloco para o conselho. Nós vamos lançar dois editais robustos, são R$ 13 milhões. E esta expectativa não realizada é que precisa acabar para o ano que vem. Meu trabalho com a Fazenda é, para além dos recursos orçamentários, definir a alçada do Conselho, até para ele dividir com o governo essa responsabilidade.

*DC – Outra questão é quanto à prestação de contas dos projetos. Houve um endurecimento?

Cesar Souza Junior –* Eu recebo críticas sobre um projeto e outro que não recebeu os recursos aprovados. Aí você vai checar e percebe que o proponente está todo enrolado com a prestação de contas. A gente busca ajudar, a gente sabe que os produtores culturais, às vezes, não dão tanta importância à parte burocrática. Não creio que haja desonestidade e percebemos que são erros contábeis primários. Mas nós temos avançado nisso. A ideia é fazer, no início do próximo ano, uma capacitação dos produtores culturais para lidar com isso. Solicitei à Secretaria da Fazenda que nos ceda mais gente para atuar na prestação de contas e dar mais celeridade. Acontece que a prestação de contas chega até nós, não é julgada e, às vezes, temos de julgar a toque de caixa para poder realizar a ação. Realmente, estamos com dificuldade de pessoal. Queremos ter pelo menos 20 pessoas na prestação de contas, que endureceu muito por recomendação do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e estamos atendendo a todas as suas sugestões. Então é fato que houve um endurecimento na prestação de contas, gerando alguma insatisfação por parte de produtores culturais. E como é que a gente resolve isso? Com capacitação.

*DC – O senhor disse recentemente que o Estado não deve bancar sozinho as despesas de projetos financiados pelo Funcultural e sugeriu inclusive que se busque o suporte de patrocinadores. Então como o senhor vislumbra a finalidade do fundo daqui para frente?

Cesar Souza Junior –* Um exemplo: nós vamos realizar a primeira Maratona Cultural com recursos 100% públicos. Porque é uma primeira oportunidade. Mas a ideia é, na próxima edição, termos a participação de patrocinadores privados. É preciso que o setor privado também tire algo do bolso. Movimento como estes da Novembrada Cultural (mobilização de entidades representantes da classe artística) não deveriam se voltar apenas para jogar sobre o setor público. Nós precisamos ver também caminhos para se interagir com o setor privado, para que a “viúva” não seja a única financiadora da cultura em Santa Catarina. E hoje é assim! A nossa ideia é interagir com o mercado, com os produtores culturais.

*DC – Uma das bandeiras da Novembrada Cultural é a revisão imediata da lei que criou o Funcultural e a defesa da implementação de editais por área. Não seria a hora de se rediscutir a utilidade do fundo e partir direto para a aplicação de editais?

Cesar Souza Júnior –* É muito importante trabalhar com uma política de editais. O Estado tem dificuldades financeiras, que são muitas: pressões salariais, o crescimento vegetativo da folha é alto e podem surgir pressões de outros setores do governo para o uso desses recursos vinculados aos fundos. Eu quero que o setor cultural entenda isso: ao fazer editais legais, nós estamos colocando na cultura um dinheiro que ninguém mais tira. Estamos lançando os editais e um novo decreto, que vai absorver a grande demanda do setor cultural catarinense, que é a questão da autorremuneração. No ano que vem, vamos permitir a autorremuneração no limite de 20%, a exemplo da maior parte dos editais de cultura aplicados no Brasil. Isso é ilógico e acabava conduzindo a algumas criatividades contábeis, que são a origem de vários problemas das entidades culturais aqui e no TCE. É ilegalizar uma prática que é legítima. Entrando no tema da Novembrada Cultural, uma iniciativa positiva.

*DC – Como o governo vê a ideia de uma secretaria exclusiva da Cultura?

Cesar souza Junior –* Nós podemos avançar para uma secretaria própria, principalmente diante de tantos editais. Tem a questão do Plano Nacional de Cultura. Eu determinei uma comissão que vai a Brasília. Todos estão discutindo, porque não dá para aceitar o prato feito do governo federal, que não pode vir aqui e impor uma série de situações. Eu quero saber no que o governo federal vai nos ajudar. Este ano, nós não recebemos um centavo. Absolutamente nada! É um mistério muito enrolado, né? Então é isso, nós vamos aderir? Vamos iniciar a discussão da secretaria específica? Vamos. Eles nos colocam uma série de interferências em questões estaduais. Lembrando que nós não estamos fora do Plano Nacional de Cultura. Nós pedimos uma prorrogação até o final de 2012. Nós estamos dentro, só que está em discussão um novo plano, ao qual apenas nove dos 26 estados aderiram.

*DC – O governo do Estado tem quais planos para reforçar a área cultural
usando a prerrogativa do poder que tem para propor ou determinar a
implantação de políticas públicas e de investimentos específicos para o
setor?

Cesar Souza Junior –* Não são leis pontuais na Assembleia que irão resolver os nossos problemas. Nosso maior problema não é legal. Precisamos reformar as leis já existentes e isso estamos fazendo ao elaborar um novo decreto. E, de fato, dotar a área cultural de uma política de editais públicos. Discernir o que deve e não deve ser apoiado na área cultural, principalmente no que se refere a projetos de produção cultural, deve ser uma atribuição de quem entende, ou seja, do setor. A ideia é implementar o Elisabete Anderle como estamos implementando, reforçar o edital do Cinema Catarinense e dar cada vez mais ao Funcultural essas atribuições.

*DC – Para quem pretende deixar o cargo no próximo ano (é um dos virtuais candidatos à prefeitura da Capital), não seria muito pouco tempo de atividade à frente da Cultura?

Cesar Souza Junior –* Mesmo que essa desincompatibilização aconteça para a eleição, e acho que essa possibilidade é grande, eu tenho até junho para decidir isso. Caso eu venha a disputar as eleições, a saída deverá acontecer antes do prazo legal, pois não há como exercer a função de candidato com uma pré-candidatura, e não seria nada bom para os três setores nos quais que tenho a responsabilidade de gerir. Embora seja um período curto, penso que deixaremos um legado: a conclusão das reformas do CIC, os editais transformados em lei, a reforma da legislação e o orçamento próprio da FCC. São políticas de Estado implementadas e que vão permanecer.

Por uma Política Pública para a Cultura

Em 2004, mais de 300 artistas e produtores de cultura saíram às ruas de Florianópolis para protestar contra atos do governador Luiz Henrique da Silveira, que, de acordo com a maioria da categoria, feriam frontalmente o desejo de uma política pública e democrática para a cultura em Santa Catarina. O movimento, chamado de Frente em Defesa da Cultura Catarinense, conseguiu uma vitória histórica, ao barrar, na Assembleia Legislativa, barbaridades como a extinção da Fundação Catarinense de Cultura e da municipalização da Biblioteca Pública Estadual. Entre outras questões, a Frente exigia uma política pública de Estado, e não mais de governo, o respeito às decisões do Conselho Estadual de Cultura, o lançamento de editais públicos de cultura, a criação de um Fundo Estadual de Cultura e a separação da área da cultura das do esporte e turismo, para a criação de uma secretaria exclusiva para cultura.

Apesar das conquistas imediatas, nenhuma das solicitações foi atendida. Quase uma década depois, o Estado de Santa Catarina continua com os mesmos problemas. Os governos não ouvem seus artistas, técnicos e produtores, continuam fazendo política de balcão e mantendo uma anacrônica secretaria que junta esporte, turismo e cultura, na contramão de todos os países , a maioria dos estados brasileiros e muitos municípios.

Com o novo governo, de Raimundo Colombo, os problemas se acentuaram. Projetos do Funcultural aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura não são pagos, em detrimento de projetos do governo, que sequer passam pelo visto do Conselho. Há muito que a Frente em Defesa da Cultura pede a revisão urgente da Lei que criou o Funcultural, dado os descalabros cometidos. Mas o governo faz ouvidos moucos.

Por conta disso, mais uma vez, técnicos, artistas, produtores e todas as pessoas que trabalham com arte e cultura no Estado, realizarão em novembro a “Novembrada Cultural”. A Novembrada é uma referência à manifestação popular ocorrida em 1979 em Florianópolis contra o Regime Militar.

A Novembrada Cultural é uma série de eventos e manifestações reivindicando as questões que já foram pauta de reuniões e mais reuniões, manifestos e mais manifestos, e, mais ainda, que sejam urgentemente resolvidas.

1) O pagamento imediato dos projetos aprovados pelo Conselho Estadual de Cultura.

2) Adesão imediata de Santa Catarina ao Sistema Nacional de Cultura, para que produtores independentes de Santa Catarina possam participar, em convênios com o Ministério da Cultura, de todos os seus programas.

3) A revisão imediata da Lei que criou o Funcultural, com a participação de toda a categoria.

4) O lançamento imediato dos editais de apoio à cultura.

5) Por uma política de Estado, sem interferência do Governo.

Coletivos, redes e organizações apoiadoras:

Aprodança
Cinemateca Catarinense
Fecate
Fórum Cultural Florianópolis
Musicatarina
Cinelo – Associação de cinema e Vídeo de Chapecó e Região
Partido da Cultura
Fora do Eixo
AAPLASC – Associação Catarinense de Artistas Plásticos
ACINEJ – Associação de Cinema de Joinville e Região
Associação Cultural Serra Arte – Lages
A Gesto – Associação de Produtores Teatrais da Grande Florianópolis
A AJOTE – Associação Joinvilense de Teatro
Grupo Africatarina de Arte e Arte-Educação
ERRO Grupo

O manifesto está aberto a novas assinaturas de entidades e coletivos. Para assinar, basta publicar uma mensagem na caixa de comentários deste post.